2.6.12
24.5.12
O HÍFEN
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16.5.12
À FLOR DAS ÁGUAS
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9.5.12
PARTO
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4.5.12
ANTES
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28.4.12
OS FRUTOS
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20.4.12
ESPERA UM POUCO
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12.4.12
ASSIM POUSAMOS
Assim pousamos o coração na mesa
dos anos repetentes e perguntamos
porque bates se nunca mais cobriste
o chão de frio do grande inverno
Repegamos a cor das velhas dores
num teatro de espantos e silêncios
A comédia que somos e vivemos
bem ao largo de nós na ilusão
de um invicto perpétuo coração
Licínia Quitério
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4.4.12
ATRAVESSAM OS RIOS
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28.3.12
CORRE, CAVALGA
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22.3.12
MULHER
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14.3.12
MARÇO
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8.3.12
O FUMO
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29.2.12
NO SÍTIO DAS TORMENTAS
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22.2.12
DEVIA SER ASSIM
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16.2.12
O BANCO DA AVENIDA
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10.2.12
NÓS, AS MALAS
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5.2.12
A TERRA
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24.1.12
VERDE MAR
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16.1.12
UM CHEIRO A RELVA
acabada de cortar
incansavelmente medes
a casa
e o tempo de a viver
Não gastas
a casa
a casa
Vestes
Sei que os teus passos
abre um sorriso de mulher
onde respira
a casa
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9.1.12
SOLSTÍCIO
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4.1.12
SOBRE A AREIA
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2.1.12
CLARISSE E OS ÁLBUNS
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26.12.11
CLARISSE E OS ÁLBUNS
17. Foram os anos insidiosos nas páginas do álbum de lombada doirada. Entraram, um a um, pelas pequeninas frestas entre as folhas, e ajustaram contas com as cores. Como um vento desatinado que tivesse mudado as coisas, os lugares, as gentes, dando-lhes outros poisos, outros tons, outros tempos. Uma peça de teatro com um encenador enlouquecido que da tragédia fez comédia e deu grandeza ao vilão e sonho ao imbecil. É por isso que Clarisse não consegue lembrar-se em que céu aconteceu o voo triunfante do pássaro branco de peito negro. Talvez no céu azul da terra quente em que se deitava de costas no pino do verão. Afundava os pés na areia de oiro, as pernas dobradas pelo joelho, e cavava pequenas crateras circulares, com as mãos espalmadas, até que o chão as cobrisse até aos pulsos. Clarisse gostava de se pensar planta a enraizar terra dentro, firme, muito firme, tranquila na imobilidade vegetal que desejava. Poderia bem ser a terra das casas baixinhas e azuis, agora mais azuis, esquecidas da brancura dos dias felizes. Encurvados os telhados, encurvados os dias de Clarisse, intacta apenas a curva do olhar. No ano que chegar, Clarisse há-de com ele encetar desafios na busca de retratos que o vento não tenha violado. Assim permaneça na beira do tanque, à tardinha, a rola de peito róseo a que falta uma asa.
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19.12.11
CLARISSE E OS ÁLBUNS
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13.12.11
ERA UM TEMPO DE MULHERES
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6.12.11
DEEM-ME
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1.12.11
GRAÇA
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24.11.11
MAIS DO QUE BRISA
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19.11.11
TANTAS VEZES SUBIMOS
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8.11.11
AH QUE BONITO
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31.10.11
PODES PEDIR-ME UM BEIJO
Podes pedir-me um beijo nos dias de escarlate
quando as trepadeiras sangram
e eu visto a leveza dos vinte anos e dos outros
que decidimos guardar para não morrer.
Sabíamos que tudo havia de passar -
os muros, a trepadeira, o coro das velhas pela noitinha,
a tua mão pedindo a minha no declive da serra,
na ameaça do tojo.
Continuámos a desbravar ruínas,
a construir palácios de ninguém,
a apregoar unguentos,
que as feridas não soubemos afastar.
Breve foi o tempo, grande foi o lugar,
saudosa a guerra que ninguém perdeu,
amor menino que não envelheceu.
A trepadeira vive, o meu vestido é leve.
Nenhum beijo tem mais de vinte anos.
Digo-te sim nos dias de escarlate.
Licínia Quitério
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25.10.11
POSSO ESCREVER
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17.10.11
ENTRANÇA AS MÃOS
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12.10.11
INFORMAÇÃO
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11.10.11
A PERFEIÇÃO
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2.10.11
SABER O MAR
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28.9.11
QUANDO NASCE UM POEMA
Quando nasce um poema
nasce com ele um mundo de paisagens
absurdas com florestas de gelo e
frutos palpitantes. E as gotas
de água de um amor antigo a refrescar
desertos. Um poema é um microcosmo
de ternura e de raiva, de mel e azedia,
de paixão ardida e renovada. Se cor
tem o poema nunca foi nomeada. Se
forma tem é a de um anjo ou melhor
a das asas que o anjo perdeu.
Ao certo só sabemos que o poema
nasceu quando um pássaro canta ou
um homem desperta e se levanta.
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